Tratamentos Superficiais

Nesta edição apresentamos a primeira parte de estudos sobre tratamentos superfi ciais. Na edição 24 do Fatos & Asfaltos faremos o acompanhamento das etapas de realização do serviço.
Trata-se de revestimento asfáltico constituído de aplicações sucessivas de ligante betuminoso, intercaladas pela aplicação de camadas de agregado mineral, denominadas por TSS para tratamentos superfi ciais simples, TSD para duplos e TST para triplos. Quanto aos ligantes, podem ser utilizados asfaltos e emulsões, sendo este último um processo a frio, no qual devemos considerar a percentual residual equivalente ao processo realizado com asfaltos a quente, que não é muito utilizado atualmente, por requerer altas temperaturas de espargimento, salvo a nova tecnologia que a GRECA Asfaltos desenvolveu com asfalto modificado por pó de borracha de pneus inservíveis, a qual está sendo difundida no Brasil.
A viabilidade dos tratamentos superfi ciais se dá pela fácil aplicação, de forma quase artesanal, absorvendo mão-deobra local e não necessariamente especializada, além de baixo investimento em regiões carentes de infraestrutura, tomando-se maiores cuidados na avaliação da superfície, clima, tráfego, seleção de materiais e na sua execução.
O tratamento superfi cial mais usual no Brasil é o Tratamento Superfi cial Duplo (TSD) realizado com RR-2C convencional ou RR-2C modifi cada por polímeros (RR-2C-EP). O TSD consiste, principalmente, da aplicação de duas camadas de ligante asfáltico e britas, geralmente brita 1 ou ¾ como primeira
camada e pedrisco ou brita 3/8 na segunda camada, sendo fechado com um fog de emulsão ou camada selante. De antemão podemos considerar que essa camada de rolamento terá a espessura total equivalente ao diâmetro da brita que será considerada na primeira camada, já que a segunda camada será apenas para o preenchimento dos vazios deixados pela primeira, não podendo ficar sobreposta.
A distribuição do ligante é executada por um veículo-espargidor de bom desempenho, com dispositivo de aquecimento adequado e que promova esse aquecimento a temperatura correspondente ao ensaio de viscosidade Saybolt Furol, ou seja, 50°C. Também deverá dispor de boa pressão de bomba, e que
tenha uma distribuição uniforme do ligante através de bicos sadios que promovam bom recobrimento, evitando-se as falhas de bico altamente danosos ao desempenho da capa. Deve-se fazer essa verifi cação, antes do serviço, utilizando-se água para teste dos bicos e pressão (figura 1).


Os teores de ligantes correspondem em média a 10% do peso total dos agregados, distribuídos entre as camadas (Ex: TST = 30 kg/m2 de brita => 3,0 l/m2 de Emulsão);
A primeira aplicação de material asfaltico é feita diretamente sobre a base ou sobre o revestimento asfaltico, e recoberta imediatamente com agregado graúdo constituindo a primeira camada de tratamento. A segunda camada é semelhante à primeira, porém utilizando-se agregado miúdo para fechamento de seus vazios, com taxas definidas previamente por projeto em laboratório mediante envio de amostras dos agregados (figura 2).


Exemplificaremos a questão da espessura dos tratamentos superficiais, no caso como TSD, considerando que seja utilizada na primeira camada, a brita ¾” (brita 1), então a espessura da capa com TSD terá 1,90 cm e a segunda camada será com brita 3/8”, na taxa específica para o fechamento dos vazios deixados pela brita ¾”, de maneira que depois de concluído o serviço, possamos olhá-lo de cima e ver as duas faces das camadas, uma ao lado da outra. Se estivermos enxergando somente a última camada significa que esta foi espalhada em excesso, ficando sobreposta, o que poderá acarretar em desprendimento da mesma, provocando riscos e transtornos aos usuários.
Quanto à aquisição dos agregados minerais, recomenda-se que se atenda também às normas de classifi cação em relação às faixas indicadas pelo contratante, ao índice forma, adesividade, abrasão e contaminação (pó aderido). Recomenda-se também lavar-se o agregado para a eliminação da contaminação, a qual poderá resultar em maiores consumos de ligante asfáltico em relação à taxa indicada por projeto, onde se considera o material lavado.
Na aquisição dos ligantes asfálticos, é recomendável se fazer os ensaios de recebimento, onde serão verifi cados o atendimento às exigências normativas de resíduo, viscosidade, peneira e etc.
Muitas estradas já foram pavimentadas no Brasil dentro da tecnologia dos tratamentos superfi ciais, destacando estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e São Paulo, além da região Nordeste. Rodovias executadas já com a condição de asfaltos emulsionados, porém distantes ainda da tecnologia de modificação por polímeros; rodovias estas que duraram além das expectativas e contemplaram a necessidade nacional de se obter um mínimo de infraestrutura com baixo custo.
Os tratamentos superfi ciais ainda são viáveis para uma grande parcela das nossas rodovias, principalmente as rurais onde o pequeno agricultor necessita de boas condições de deslocamento para escoar a sua produção, e a população de pequenas vilas e municípios ter fácil e rápido acesso aos benefícios do pronto atendimento à saúde e educação disponíveis em outras localidades, além do inegável desenvolvimento que aquela localidade passa a ter, oxigenado pela irrigação do progresso drenado pela nova artéria.
Com o advento da modifi cação das emulsões por polímeros, a coesão da camada de tratamento superficial melhorou e hoje há uma disseminação de sua aplicação até no processo de restauração de pavimentos. Aplica-se essa tecnologia sobre camadas asfálticas envelhecidas, desgastadas e microfissuradas, e com os seus problemas estruturais resolvidos, como uma camada antirrefletora de trincas para posteriormente aplicar-se a camada final de rolamento. O conceito baseia-se no fato de que a energia da trinca provocada pela aplicação da carga proveniente dos eixos dos veículos, se dissipe na camada de tratamento superficial otimizado pela utilização de polímero, fazendo com que a mesma não chegue à capa de rolamento.
A GRECA Asfaltos continua a acreditar na viabilidade dessa tecnologia simples e adequada à realidade capital do Brasil. Para tanto criou sua linha de produtos modifi cados por polímeros, entre os quais se destaca a emulsão de alto desempenho para essa tecnologia, denominada RR-2C-EP, além de atender rigorosamente as especificações vigentes.

Elaborado por:
Eng. José Carlos M. Massaranduba – Diretor técnico GRECA
ENg. José Antonio Antescezezem Junior – Gerente de PD&I – GRECA Asfaltos.

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº23

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