Tratamentos superficiais com Asfalto-Borracha

A aplicação de tratamentos superficiais com Asfalto-borracha trata de uma técnica originária dos Estados Unidos, amplamente difundida em outros países como Austrália, Portugal, China e, principalmente na África do Sul.
As primeiras aplicações em larga escala desse tipo de técnica datam da década de 70 nos Estados Unidos e início da década de 80 na África do Sul, que utilizando a escola americana como referência, desenvolveu especificações e procedimentos próprios de análises dos materiais empregados, técnicas de aplicação e controle de qualidade.
Adaptando a técnica às suas condições climáticas, geológicas e de tráfego, a África do Sul tornou-se uma referência na utilização de Tratamentos Superficiais com Asfalto-borracha como revestimentos asfálticos em rodovias de alto tráfego, como a rodovia que liga Pretória a Joanesburgo. Em visitas realizadas pelos técnicos da GRECA Asfaltos aos Estados Unidos e África do Sul, constatou-se a eficiência do Tratamento Superficial com Asfalto-borracha, fato este comprovado pela Figura 1, em que se pode notar a forma conservada e viva do Asfalto Borracha, mantendo ainda suas características de recuperação elástica após oito anos.
Essas características despertaram na GRECA Asfaltos o desejo de transferir a tecnologia ao Brasil, não apenas pela similaridade econômica e geográfica de nosso país com a África do Sul, mas também pelo fato de que a mesma vem ao encontro da maioria de soluções próprias às patologias que se apresentam em nossas rodovias.


Geralmente são vias trincadas por oxidação, as quais necessitam de uma membrana antirrefletora de trincas para posteriormente ser adicionada a capa asfáltica, no modelo SAMI, de restauração e conservação de rodovias.
Mediante a melhoria do ligante asfáltico através da adição de pó de borracha de pneus moída, proporcionando a ele alta viscosidade, menor suscetibilidade térmica e poder de retorno elástico significativo, é possível postergar a segunda fase de restauração da via, deixando esse tratamento exposto ao tráfego por um longo período (até o próximo investimento). A partir de então seguese com a aplicação da camada final com misturas asfálticas usinadas a quente (CBUQ, por exemplo), em que seguramente a energia provocada pela ação do tráfego junto às trincas da camada inferior estaria se dissipando na membrana do tratamento. Denominaríamos esse modelo de investimento como restauração por etapas. Em vias onde o grau de trincamento é menos pronunciado, mesmo elas sendo de alto volume de tráfego, o Tratamento Superficial com Asfalto-borracha atua como uma excelente camada de revestimento asfáltico final.
Os Tratamentos Superficiais com Asfalto-borracha (TSAB) podem ser do tipo Simples (TSS-AB) ou Duplo (TSDAB). As temperaturas de aplicação do ligante são da ordem de 185°C (Figura2) e, para isso, a brita necessita estar isenta de pó, seca e ter forma mais cúbica possível. Na África do Sul faz-se uma pré-pintura do agregado com alcatrão para que o mesmo não se aglutine, mas se mantenha seco e o pouco de seu pó aderido permaneça neutralizado. A GRECA Asfaltos criou um produto especial para essa finalidade, a emulsão PRE COATED, já que no Brasil não se dispõe de alcatrão em forma abundante e barata. O processo de prépintura pode ser feito preferencialmente numa usina de PMF. Para a avaliação de dosagem da pré-pintura, faz-se necessário o prévio envio das amostras do agregado destinado à obra.


A GRECA ASFALTOS também inovou no sentido de lançar um Asfalto-borracha para aplicação em tratamentos superficiais, o ECOFLEX TS, o qual a incorporação do pó de borracha acontece dentro de suas fábricas, de forma industrial, para então ser enviado à obra para aplicação imediata ou conservado em modo estocável, desde que se atendam às características intrínsecas de temperatura e agitação. Através da análise das amostras dos agregados minerais são definidas as taxas de aplicação tanto do Asfalto-borracha como do(s) agregado(s). Essas taxas variam em relação aos tratamentos com emulsões convencionais e modificadas face à alta viscosidade do ligante quando modificado com pó de borracha de pneus inservíveis.
O caminhão-espargidor deve possuir alta capacidade
térmica e pressão, munido de maçaricos para manutenção da temperatura de trabalho do Asfalto-borracha, bem como uma minicaldeira de óleo térmico acoplada para aquecimento do sistema de circulação e espargimento do ligante asfáltico. Para que não se perca em produtividade, aquecendo pequenas quantidades do ligante no espargidor, recomenda-se que este tenha uma capacidade mínima de 15t (Figura 3) ou que se tenha um sistema térmico no tanque de estoque, de onde já se tire o produto na temperatura adequada para aplicação. O restante do serviço assemelha-se com os tratamentos convencionais, no que diz respeito à distribuição do agregado, rolagem e varrição (figuras 4 e 5).

Eng. José Antonio Antosczezem Junior – Gerente de Qualidade & Produção GRECA
Eng. José Carlos M. Massaranduba – Diretor Técnico GRECA

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº19

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